Literatura Infantil.


Contos de Fadas e Psicopedagogia
Procuramos explicitar até agora, alguns dos motivos pelos quais as

crianças devem ter acesso aos contos de fadas.

Acreditamos que eles devem estar presentes nas salas de aula e

também nas sessões de psicopedagogia.

No entanto, sabemos também que a literatura não está tão presente

nas salas quanto deveria. Isso porque para muitos professores a literatura é um

conteúdo sem significado, pois não tem um objetivo técnico preciso de obter algum

conhecimento (AMARILHA, 2001, p. 45). Ou seja, a literatura só tem valor quando

acompanhada de algum ensinamento, quando possui explicitamente cunho

pedagógico.

Essa idéia já é antiga. Desde o início da história da Literatura Infantil

essa idéia esteve presente, tendo sempre uma faceta utilitarista, especialmente de

fundo moral.

A idéia de literatura-prazer e das funções psicológicas são recentes,

mas precisam ser conhecidas pelos educadores.

Com o avanço de pesquisas de tantas áreas, a literatura não pode mais

estar relegada a segundo plano como vem sendo até então. Precisa ser dado a ela o

papel que lhe cabe.

Segundo Amarilha (2001, p.17) a literatura é usada na sala de aula

especialmente como um instrumento de controle sobre as crianças. Isso acontece

porque uma história é sempre bem recebida por elas e diante do “caos” instalado na

sala, muitos professores anunciam uma história, fazendo com que o silêncio volte a

reinar.

Portanto, essas situações são predominantemente improvisadas, sem

outras intenções do professor em relação à literatura. Assim, Amarilha (2001, p.18)

chama a atenção para o que denominou de “Síndrome de Sherazade”, a função

simplesmente utilitarista que é dada à literatura infantil. No entanto, seria interessante

que nos perguntássemos: que poder é esse que existe com a literatura que faz com

que crianças tão dinâmicas se aquietem? No mínimo isso deveria fazer com que

professores parassem para pensar sobre a sedução e importância da literatura em sua

prática.

Quando ouvimos uma história e nos envolvemos com ela, há um

processo de identificação com alguns personagens. Isso faz com que o indivíduo viva

um jogo ficcional, projetando-se na trama.

O jogo que o texto proporciona é de natureza dramática. Ao entrar na trama de

uma narrativa, o ouvinte ou leitor penetra no teatro. Mas, do lado do palco ele

não só assiste ao desenrolar do enredo como pode encarnar um personagem,

vestir sua máscara e viver suas emoções, seus dilemas. Dessa forma, ele se

projeta no outro através desse jogo de espelho, ganha autonomia e ensaia

atitudes e esquemas práticos necessários a vida adulta (AMARILHA, p.53).

Assim, a história proporciona ao indivíduo viver além de sua vida

imediata, “vivenciar” outras experiências. Por isso seduz, encanta e embriaga. Mesmo

sem tarefa, sem nota, sem prova, a literatura educa e, portanto e importante

pedagogicamente (AMARILHA, 2001, p. 56).

Diante dessas constatações, podemos afirmar que tudo isso se aplica

aos contos de fadas, acrescentando-se ainda toda a importância psicológica de que já

tratamos. No entanto, não basta incluir os contos de fadas na rotina da sala de aula,

nos atendimentos psicopedagógicos ou mesmo em casa. Alguns cuidados devem ser

tomados para que eles possam verdadeiramente ser significativos para as crianças.

Alguns cuidados ao se trabalhar com os contos de fadas

Ao ouvir uma história desse tipo é preciso que se dê tempo às crianças,

não ocupando-as logo em seguida com outra atividade ou outra história. É preciso que

as crianças tenham a oportunidade de verdadeiramente “mergulhar” na atmosfera do

conto, que possam falar sobre ele, sobre assuntos e sentimentos despertados. Só

assim o conto terá desempenhado sua função emocional e intelectual.

Quando um conto fala aos seus problemas e dificuldades interiores, a

criança freqüentemente pede que lhe contem a história outra vez. Essa atitude poderá

indicar que a história ouvida, de alguma forma está sendo importante e lhe trazendo

respostas. Nesse caso, o adulto que lhe contou a história (seja pais ou professores)

deve repetir a história tantas vezes quanto a criança solicitar.

Isso acontece porque a criança precisa ouvir muitas vezes uma história

para “acreditar” nela e fazer com que a visão otimista veiculada por ela seja parte de

sua concepção de mundo.
A criança “sente” qual dos contos de fadas é verdadeiro para sua situação

interna no momento (com a qual é incapaz de lidar por conta própria) e também

sente onde a história lhe fornece uma forma de poder enfrentar um problema

difícil (BETTELHEIM, 2000, p.74).

Por isso é importante que a criança possa além de ouvir o conto

quantas vezes desejar, poder também se demorar nele, falar sobre ele, sobre o que

sente, só assim aproveitará profundamente tudo o que o conto tem a oferecer. Só a

partir daí é que poderá fazer associações pessoais, gerando um significado totalmente

próprio dela. Isso é que a auxiliará a lidar com os problemas que a angustia.

Até que um dia ela dispensará a história, isso quando já tiver se

apropriado de todos os conteúdos que ela trouxe, trazendo respostas às suas

angústias. A criança também perde o interesse por uma história quando os problemas

trabalhados por ela já não existem mais, foram substituídos por outros. Por isso, o

melhor a fazer é estar atento às orientações dadas pela própria criança.

Até mesmo quando a criança não pede que um conto seja repetido,

mas o adulto perceber que ela de alguma forma ficou encantada, poderá repeti-lo em

outra ocasião. Isso porque quando o contato entre o conto e a criança se dá apenas

uma vez, elementos importantes para ela podem se perder, elementos esses que

requerem tempo para serem apreendidos e elaborados.

No entanto, mesmo que o adulto consiga entender porque um

determinado conto está encantando uma criança, não deve tentar explicar os motivos a

ela.

Explicar a uma criança por que um conto de fadas é tão cativante para ela,

destrói, acima de tudo, o encantamento da história, que depende, em grau

considerável, da criança não saber absolutamente por que está maravilhada

(BETTELHEIM, 2000, p.27).

Além disso, por mais certo que o adulto esteja de suas interpretações,

dizê-las à criança seria como privá-la da oportunidade de entender e enfrentar por ela

mesma seus problemas, de sentir que é capaz de, de alguma forma, amenizar seus

anseios. Nós crescemos, encontramos sentido na vida e segurança em nós mesmos

por termos entendido e resolvido problemas pessoais por nossa conta, e não por eles

terem sido explicados por outros (BETTELHEIM, 2000, p.27).

Dessa forma as crianças teriam a oportunidade também de se

apropriarem da história, de transformarem essa história em algo seu. Isso se dá através

das associações pessoais que ela faz. Por esse motivo as ilustrações das histórias

podem desviar a criança desse caminho, fazendo com que dificulte justamente essas

associações pessoais, pois ali estarão as visões e associações do ilustrador e não dela.
As ilustrações distraem em vez de contribuir. Por melhor que sejam as

ilustrações, contribuem bem pouco para os contos de fadas...Se uma história

diz que ‘ele subiu numa montanha e viu um rio no vale abaixo’, o ilustrador pode

apreender, ou quase apreender sua própria visão da cena, mas cada ouvinte

formará seu próprio quadro que será constituído de todas as montanhas e vales

que já viu, mas especialmente do Vale, da Montanha e do Rio que formaram

para ele a primeira personificação do mundo (Tolkien, apud BETTELHEM, 2000, p.76).

Sem dúvida as crianças preferem os volumes ilustrados (e também os

adultos), pois assim se poupam do “trabalho” de ter que imaginar a cena descrita, no

entanto, se deixarmos um ilustrador determinar nossa imaginação, ela se torna menos

nossa e a história perde muito de sua significação pessoal (BETTELHEIM, 2000, p.76).
As imagens formadas em nossa mente através de um relato, não são

ao acaso. São fruto de impressões e experiências pessoais, que têm enorme

significado para a pessoa. Quando apenas contemplamos uma ilustração, não nos

apoderamos desse processo, não tendo nenhum significado profundo.

Como sabemos, os contos de fadas, como nenhuma outra literatura

leva a criança ao encontro da descoberta de sua individualidade, de sua identidade

única. Para isso, é importante que se apresente à criança sempre as versões originais

ou clássicas dos contos de fadas, atentando para as edições que encontramos por aí

que são versões amesquinhadas e simplificadas, que amortecem os significados e

roubam-nas de todo o significado mais profundo, onde os contos de fadas são

transformados em diversão vazia (BETTELHEIM, 2000, p.32). A eliminação de detalhes,

por mais insignificantes que possam parecer, pode fazer com que o conto perca seu

mais profundo significado.

Ainda para atingir esses objetivos e ser realmente significativo, o conto

de fadas deveria ser contado em vez de lido.

Isso porque ao contar é permitido uma maior flexibilidade, um maior

envolvimento emocional entre quem conta, quem ouve e o próprio conto. Portanto, não

servirá de nada aproximar-se da narrativa dos contos de fadas com intenções didáticas


(BETTELHEIM, 2000). Querer trabalhar “didaticamente” com os contos seria

transformá-los em um tipo de literatura que fala apenas ao consciente da criança,

sendo que o maior mérito deles é justamente atingir diretamente o inconsciente da

criança. Além disso, o professor deve ter intimidade com o conto, conhecê-lo

previamente para poder contá-lo de forma agradável e convincente.

Muitos adultos de hoje não passaram pela experiência do prazer de

ouvir de seus pais um conto de fadas. Não conhecem o encantamento e a importância

desse tipo de literatura na infância. Assim, fica difícil mostrar empatia e desenvoltura

para contá-los as crianças. Nesse caso, diz Bettelheim (2000, p. 149) que apenas uma

compreensão intelectual da importância dos contos é que pode (em partes) substituir

essa falta. Se ainda assim um adulto pensa que estes contos são apenas um monte de

mentiras, é melhor não contá-los, pois não será capaz de relatá-los de forma a

enriquecer a vida da criança.

Ainda em relação ao adulto, é importante lembrar que ele deve ser

sempre a ponte entre a criança e o conto. Isso porque, quando ela lê sozinha e

encontra ali relações com suas fantasias (especialmente as indesejáveis) pode

acreditar que tudo aquilo não é aprovado pelos adultos, que ela é quem está errada. Ao

contrário, se os pais contam a história, acredita que eles aprovam as soluções que ali

estão e, ainda, passarão a mensagem de que consideram seus conflitos internos

dignos de valor e realmente existentes. Por conseqüência a criança sente que ela

mesma é importante.

Alem disso, quando pais contam a seus filhos uma história, sem

dúvidas estamos diante de um momento único de interação e ternura, que por si só já

valeria a pena. Vale lembrar ainda que Lewis Carrol, o autor de “Alice no País das

Maravilhas” chamou os contos de fadas de “presentes de amor”, de forma muito sábia.

Presente esse que deveria ser sempre oferecido às crianças por seus pais e

professores.

Contos De Fadas e Psicopedagogia


A psicopedagogia tem como objeto de estudo e trabalho a problemática

da aprendizagem e todos os processos envolvidos nessa questão, por isso não se pode

deixar de olhar o que está acontecendo entre a inteligência e os desejos inconscientes

do sujeito.

As histórias infantis como referências simbólicas a essas questões

inconscientes constituem um importante instrumento psicopedagógico, uma vez

que remetem ao sonho, à fantasia e iluminam o ser humano no que lhe é

próprio: a capacidade de sonhar e simbolizar. (LIMA, 2003).

Por isso, incorporar na prática psicopedagógica os milenares e sábios

contos de fadas pode tornar os atendimentos mais criativos, sérios e incisivos quanto

ao resgate das dificuldades de aprendizagem.


A linguagem do simbólico, o universo das metáforas e a interpretação e

a leitura que se faz desses conteúdos, contribuem imensamente tanto para o

diagnóstico como para o tratamento psicopedagógico, já que o conceito de

aprendizagem com o qual trabalha a psicopedagogia remete a uma visão de homem

como sujeito ativo num processo de interação constante com o meio físico e social,

interferindo nesse processo o seu equipamento biológico, suas condições afetivoemocionais

e intelectuais.

Os contos de fadas desenvolvem a capacidade de fantasia infantil, são

para as crianças, o que há de mais real dentro delas. Enquanto diverte a criança, os

contos a esclarecem sobre si mesma e favorecem o desenvolvimento da sua

personalidade. Por isso, um conto trabalha o aspecto afetivo, psicológico e cognitivo.

Muitas vezes, uma criança chega ao atendimento psicopedagógico com

sua auto-estima abalada, com uma auto-percepção negativa, sendo papel do

psicopedagogo tentar auxiliá-la a reestabelecer confiança em si mesma, em acreditar

nas suas capacidades.

Nessa questão, os contos de fadas podem auxiliar o profissional. Já

citamos a importância e o impacto psicológico que eles causam a partir de sua estrutura

fixa e, especialmente, com o final feliz que apresentam. Isso porque ao ouvir os relatos

de personagens (com os quais a criança se identificou) que passaram por dificuldades

e venceram, e mais fácil acreditar na sua própria vitória.

Sabemos que quanto mais infelizes e desesperados estamos, tanto mais

necessitamos de ser capazes de nos envolvermo-nos em fantasias otimistas.

Embora a fantasia seja “irreal”, os bons sentimentos que ela nos dá sobre nós

mesmos e nosso futuro são “reais”, e estes bons sentimentos reais são o que

necessitamos para sustentar-nos (BETTELHEIM, 2000, p. 157).

O final feliz pode realmente contribuir para a formação de uma crença

positiva na vida. No entanto, é preciso ressaltar a palavra contribuir, ou seja, nenhum

conto fará isso sozinho. É salutar deixar claro a importância do papel dos pais,

professores e psicopedagogos mostrando confiança na criança e verdadeiramente

ensinando-a a ter esperança no futuro. Isso será possível se a criança realmente se

sentir acolhida, com olhares de encorajamento e aprovação.

No início da idade escolar, a criança está entrando na fase de latência.

Nessa fase, toda a energia da criança, que antes estava no aspecto sexual, envolvida

nas questões edípicas, agora é sublimada e se volta com força para as coisas da

escola, para a aprendizagem. Assim, o objeto de desejo é substituído pela busca do

conhecimento.

A criança entra na fase de latência utilizando o mecanismo de sublimação, e a

aprendizagem escolar pode vir a ser muito gratificante por ser compreendida

por ela como forma de brincar e de reparar objetos internos (TINOCO, 1999, p.25).

Portanto, a aprendizagem ocorre quando sublimamos, ou seja, quando

transferimos um objeto de desejo para outro, no caso, o conhecimento.

Dessa forma, agora a aprendizagem escolar representa a oportunidade

de resolver temores internos, o que fazia antes através da brincadeira.

Melanie Klein in TINOCO (1999, p.26) observou que diversas atividades

escolares representavam para as meninas, formas de restaurar seu próprio corpo. E

muitas vezes, ter um caderno bonito e em ordem pode representar, de forma simbólica,

ter um corpo saudável e intacto.

Nos meninos, o sentimento de competição nessa fase é muito grande,

pois fantasiam que superando seus colegas na sala, poderão superar também seu pai.

No entanto, isso acontece com uma criança que viveu de forma

satisfatória a fase fálica e elaborou ou está elaborando de forma tranqüila o complexo

de Édipo (como já citamos essa fase e seus acontecimentos são decisivos na vida da

maioria das pessoas, segundo a psicanálise).

Por outro lado, quando uma criança está em uma situação psíquica

difícil, não pode focar sua energia para as coisas da escola, pois ela estará voltada para

a resolução desses problemas. Muitas crianças, mesmo sem déficit algum de

inteligência, nenhum comprometimento neurológico podem apresentar dificuldades na

escola quando passam, por exemplo, por conflitos familiares, que consomem sua

energia ou a faz regredir ou se fixar em uma fase anterior de desenvolvimento.

Tinoco (1999, p.28) ressalta que a alfabetização pode ser bloqueada

por conflitos internos da criança, relacionados com a não elaboração da situação

Edípica. Isso porque algumas habilidades importantes para a leitura e escrita estão

relacionadas aos seus desejos edípicos, que ela quer sufocar, não sabendo como lidar

com eles. Assim, se fecha também para as novas aprendizagens, o que também a

tornaria mais forte, despertando o medo de ser igual ou superior ao pai (no caso dos

meninos) ou à mãe (no caso das meninas). Por isto a aprendizagem escolar se dá por

volta dos sete anos, com uma maturação neurofuncional própria desta idade e com a

resolução do complexo de Édipo.

Portanto, quando não está com o ego bem estruturado e fortalecido, as

pressões exercidas sobre a psique são quase insustentáveis por ele. É claro que em

casos específicos, onde o psicopedagogo diagnosticar que problemas de ordem

emocional atingem a criança é preciso encaminhá-la para atendimento com

profissionais capacitados para tal. Mas até mesmo para essa percepção, para esse

encaminhamento é preciso que o psicopedagogo conheça essa dinâmica, conheça o

poder dos desejos inconscientes. É preciso uma escuta atenta e sensível, para

perceber o que realmente está ocasionando a dificuldade apresentada.

De acordo com a psicanálise todos os aspectos da vida de um indivíduo

não podem ser analisados separadamente, portanto, todos os acontecimentos de sua

vida (desde mesmo durante a vida intra-uterina) influenciam direta ou indiretamente sua

vida, o que estende à dinâmica escolar, na relação do sujeito com o conhecimento e

tudo o que ele pressupõe.

Para que a aprendizagem escolar aconteça de forma satisfatória, o

indivíduo precisa abrir mão de uma fase da vida, para entrar em outra. Isso pressupõe

crescimento, e crescimento pressupõe separações e perdas dolorosas, como a quebra

da relação simbiótica com a mãe, elaborações de questões edípicas e angústia de

castração.

Simbolizar é sentir a perda. É olhar e substituir o objeto perdido por outro. Daí a

importância do estudo da função simbólica na psicopedagogia, uma vez que,

para que ocorra a aprendizagem é necessário perder um objeto para então

ganhar e apropriar-se de outro. A vida também é uma troca. Quando

substituímos, simbolizamos e então amadurecemos (LIMA, 2003).

Além desse aspecto, podemos citar também a importância das

conversas que são estabelecidas após cada conto. Ao se falar sobre o herói, seus

problemas, suas dificuldades, a criança consegue entender e visualizar melhor seus

próprios problemas. Isso porque é muito mais fácil e menos perigoso falar de problemas

alheios. Desta maneira, acontece um encontro com sentimentos dolorosos ou

ameaçadores, mas de forma indireta e alternativa (FELDMAN, 1996, p.37). Ela pode

falar de sentimentos que são seus, projetando-os no personagem em questão.

Também é muito reconfortante para a criança saber que alguém (no

caso o personagem) tem os mesmos problemas que ela e mais, que foi possível

superá-los. Segundo Bettelheim (2000), o conto de fadas é um espelho onde podemos

nos reconhecer com problemas e propostas de soluções que só podem ser elaborados

na imaginação. Dessa forma, os contos podem:

...esclarecer inconscientemente os processos e conflitos internos de forma

simbólica e impessoal, para que a criança tenha a oportunidade de visualizar

seus conflitos como um observador, auxiliando dessa forma, nas resoluções e

promovendo o amadurecimento emocional e cognitivo (LIMA, 2003).

Portanto, é preciso que o professor ou o psicopedagogo esteja atento

às necessidades das crianças que estão sob sua responsabilidade, dirigindo de modo

eficiente as propostas de discussões após um conto, permitindo que cada um fale de

seus sentimentos de forma espontânea, respeitando sempre a individualidade, o desejo

e o direito de cada um de falar ou não sobre o que sente.

Todo educador deve conhecer muito bem a criança com quem trabalha.

Conhecer seu estágio de desenvolvimento, suas necessidades, seu nível de

pensamento. Essa necessidade é ainda maior para o psicopedagogo. Ele precisa estar

verdadeiramente interagindo com as crianças que atende. Por isso, deve conhecer sua

necessidade de mágica, de fantasia para assegurar-lhe esse direito. É preciso nunca

perder de vista a complexidade e totalidade do ser humano, lembrando-se sempre que

a criança que ali está é corpo, mente, emoção, que é resultado de influências sociais, é

alguém que tem desejos, preferências, medos, angústias, alegrias, como qualquer outro

ser humano.
O que vemos em muitas escolas é na verdade, a criança sendo muitas

vezes, subjugada e subestimada pelos adultos, não tendo suas reais necessidades

atendidas. Segundo Bettelheim (1988, p. 355) isso faz com que seja oferecido à

criança,
...um mundo insípido, um mundo que não reconhece os seus e os nossos

medos mais profundos, assim como os desejos mais satisfatórios. O que é

igualmente desastroso é que, ao tornarmos o mundo insípido para eles,

estamos contribuindo para também tornar insípido o sentimento deles por nós,

algo que faz sofrer tanto a eles como a nós. Se, por outro lado, pudéssemos

devolver a magia ao mundo de nossos filhos, ela também seria devolvida a

nossas relações, que se enriquecem enormemente com isso.

Portanto, acreditamos que os contos de fadas podem ser aliados no

diagnóstico bem como no acompanhamento psicopedagógico, auxiliando o profissional

a conhecer a criança com a qual trabalha. Além disso, acreditamos também na

possibilidade dos contos serem usados pela psicopedagogia de forma preventiva.

Se os contos atingem o seu ápice quando a criança tem por volta de

cinco anos, estando no auge dos conflitos edípicos, seria interessante eles estarem

presentes na vida da criança desde a educação infantil, auxiliando-a na elaboração

desses conflitos. Elaboração essa que poderia prevenir problemas futuros que acabam

desencadeando dificuldades de aprendizagem, já que essa é uma fase de grande

importância na vida do ser humano.

Postado por Regina Celia Camargo

__________________________________________________________________________________
A Literatura tem o poder de levar o leitor a um mundo de sonhos e alegria, e é através dela que ele pode se envolver com o prazer de ler e se expressar.
Vejamos alguns conselhos para conseguirmos envolver nossos filhos no hábito de ler:
__________________________________________________________________________________
MONTEIRO LOBATO

O Dia Nacional do Livro Infantil foi criado em 2002. A data escolhida é o nascimento de Monteiro Lobato, um dos maiores escritores da literatura infantil no Brasil. Entre suas obras estão O Pica-pau Amarelo, O Saci e Dom Quixote das crianças.



__________________________________________________________________________________

VÍDEOS DE HISTÓRIAS CONTADAS

__________________________________________________________________________________
ALGUNS CONTOS INFANTIS :


__________________________________________________________________________________
DICAS DE LEITURA

 


A CASA SONOLENTA, Audrey Wood, 32 págs., Ed. Ática

A ARCA DE NOÉ, Vinícius de Moraes, 64 págs., Ed. Cia. das Letras
MICO MANECO, Ana Maria Machado, 24 págs., Ed. Salamandra
EU GOSTO MUITO, Ruth Rocha e Dora Lorch, 16 págs., Ed. Ática
DE QUE COR VOCÊ É?, Corinne Albaut e Virginie Guérin, 12 págs., Ed. Salamandra
O GRANDE LIVRO DOS LOBOS, Vários autores, 120 págs., Companhia Editora Nacional

CADÊ CLARISSE?, Sônia Rosa, 18 págs., Ed. DCL


TRAQUINAGENS E ESTRIPULIAS, Eva Furnari, 32 págs., Ed. Global


QUEM PEGOU O PÃO DA CASA DO JOÃO?, Bia Villela, 24 págs., Ed. Paulinas


QUEM TEM MEDO DE CACHORRO?, Ruth Rocha, 24 págs., Ed. Global


UM PASSEIO COM A NUVEM SOFIA, Nicoletta Costa, 10 págs., Ed. Salamandra


HISTORINHAS DE CONTAR, Natha Caputo e Sara Cone Bryant, 128 págs., Ed. Companhia das Letrinhas

HISTÓRIAS COM POESIA, ALGUNS BICHOS E CIA., Duda Machado, 32 págs., Ed. 34
BEM-TE-VI E OUTRAS POESIAS, Lalau, 32 págs., Ed. Companhia das Letrinhas A CASA DOS RATINHOS, Marie-José Sacré, 8 págs., Ed. Salamandra
DUAS DÚZIAS DE COISINHAS À-TOA QUE DEIXAM A GENTE FELIZ , Otávio Roth, 32 págs., Ed. Ática
O GRANDE RABANETE, Tatiana Belinky, 32 págs., Ed. Moderna
FUTEBOL, TÊNIS... , Svjetlan Junakovic, 24 págs., Ed. Cosac Naify
A GIRAFA QUE COCORICAVA, Keith Faulkner, 12 págs., Ed. Companhia das Letrinhas
MEG, A GATINHA - MUDE A CENA!, Lara Jones, 10 págs., Ed. Salamandra
OH!, Josse Goffin, 52 págs., Ed. Martins Fontes

SEU SONINHO, CADÊ VOCÊ?, Virginie Guérin, 22 págs., Ed. Companhia das Letrinhas

XXII!! 22 BRINCADEIRAS DE LINHAS E LETRAS, Léo Cunha, 32 págs., Ed. Paulinas
TAMBORIM DÁ SEU ESPETÁCULO, Virginie Guérin, 16 págs., Ed. Salamandra BRASILEIRINHOS, Lalau, 32 págs., Ed. Cosac Naify
CARNEIRINHO, CARNEIRÃO, Marie Hélène Gregoire, 8 págs., Ed. Salamandra

MILA MIMOSA, Camila Moody, 20 págs., Ed. DCL

TODO MUNDO VAI AO CIRCO, Gilles Eduar, 36 págs., Ed. Companhia das Letrinhas